Estudo mostra que 60% dos brasileiros deixaram de controlar diabetes na pandemia

Diabetes é uma doença crônica que afeta a maneira como o corpo metaboliza a glicose. Entre os sintomas mais comuns estão sede excessiva, aumento do apetite, perda [...]

Por Gileno Miranda/Águia News em 16/11/2020 às 22:30:04

Diabetes é uma doen√ßa crônica que afeta a maneira como o corpo metaboliza a glicose. Entre os sintomas mais comuns est√£o sede excessiva, aumento do apetite, perda de peso, vista emba√ßada, infec√ß√Ķes frequentes e vontade de urinar v√°rias vezes ao dia e à noite.

Existem dois tipos de diabetes: no 1 h√° a deficiência de insulina; j√° o 2 é associado fortemente ao estilo de vida, principalmente obesidade, e predisposi√ß√£o genética heredit√°ria.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais de dois ter√ßos das pessoas que morrem do cora√ß√£o têm diabetes e mais de 80% das mortes por diabetes est√£o relacionadas a problemas cardíacos e renais.

“É um sério problema de saúde pública, pela prevalência elevada e pelo aspecto de muitos pacientes com doen√ßas cardiovasculares serem acometidos pelo diabetes. Isso tem um impacto forte em rela√ß√£o à mortalidade”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga.

Além de complica√ß√Ķes cardiovasculares e risco de morte para Covid-19, o diabetes traz outras consequências se n√£o for controlado.

A amputa√ß√£o de membros inferiores é uma das complica√ß√Ķes mais sérias do diabetes, segundo o presidente da Associa√ß√£o Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, José Antônio Veiga Sanhudo. “A maior causa de interna√ß√£o hospitalar do diabético é por problemas nos pés. Úlceras que n√£o cicatrizam levam à amputa√ß√£o dos membros inferiores em 84% dos casos”, afirma Sanhudo.

De janeiro a agosto de 2020, foram realizadas 10.546 amputa√ß√Ķes de membros, ao custo de R$ 12,3 milh√Ķes aos cofres do Ministério da Saúde.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

O médico recomenda ao paciente diabético examinar os pés diariamente e visitar o ortopedista pelo menos uma vez ao ano mesmo se n√£o tiver sintomas.

O descuido com a alimenta√ß√£o transformou a vida da santista Jenifer Pavani Ribeiro, 39, diabética desde os nove anos. Ela seguiu rigorosamente o tratamento a base de insulinoterapia e dieta restritiva por três anos. Dos 12 aos 21, porém, deixou os cuidados de lado.

“Enquanto a minha m√£e teve o domínio sobre mim e administrou a dieta, deu tudo certo. Na adolescência, passei a comer muito doce e descuidar da alimenta√ß√£o. Descompensei completamente”, conta Ribeiro. Aos 21 anos, uma desidrata√ß√£o a levou à UTI. “Via as pessoas entrarem vivas e saírem mortas. Foi t√£o impactante que quando tive alta voltei a viver corretamente, mas o tempo que fiz tudo errado estava perdido”, conta. Um ano depois, a retinopatia diabética proliferativa acometeu seus dois olhos. Depois, vieram outros diagnósticos, como descolamento da retina, glaucoma e cicatriza√ß√£o hipertrófica.

Cega do olho esquerdo e com 8% de vis√£o no direito, Jenifer lutou contra uma aposentadoria por invalidez aos 25 anos, prestou concurso e entrou para a Secretaria de Esportes de Santos (72 km de SP).

Atualmente, ela trabalha na Escola Radical de Surfe Adaptado de Santos, coordenada por Cisco Ara√Īa, campe√£o paulista e brasileiro de surfe, onde também é aluna.

Desde os 25 anos, Jenifer tem insuficiência renal crônica: seus rins funcionam com 35% da capacidade. Para receber órg√£os novos, esse índice teria que estar em 15% e a paciente ser dependente de hemodi√°lise. Ninguém da sua família pode ser doador e Jenifer teria dificuldade para realizar hemodi√°lise. Os pulm√Ķes também foram acometidos pelo diabetes e têm hoje 60% de fun√ß√£o.

“Eu me arrependo muito de ter subestimado, negligenciado e n√£o ter aceitado a doen√ßa. Se tivesse descoberto hoje, n√£o teria visto com tanta rebeldia, porque o tratamento est√° mais f√°cil. A qualidade de vida para uma pessoa diabética nem se compara com 30 anos atr√°s”, afirma.

“Eu vivo de esperan√ßa. Quando perdi a vis√£o, quis morrer, mas eu falei que é preciso ter fé em Deus. É um dia após o outro.”

Para ajudar quem convive com o diabetes, Jenifer escreveu a autobiografia “Vida que Segue”. Em outubro de 2020, a escritora lan√ßou uma vaquinha virtual com a meta de conseguir R$ 25 mil para a publica√ß√£o do livro. Até esta segunda (16), haviam sido arrecadados R$ 3.455.

Fonte: Banda B

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