Vacinas contra Covid-19 são eleitas as descobertas científicas do ano pela revista Science

Hospitais de campanha foram instalados, medicamentos e terapias para ajudar os pacientes internados foram investigados e recomendações sanitárias, como o uso de máscaras e o [...]

Por Gileno Miranda/Águia News em 17/12/2020 às 23:15:28

Hospitais de campanha foram instalados, medicamentos e terapias para ajudar os pacientes internados foram investigados e recomendações sanitárias, como o uso de máscaras e o distanciamento social, entraram no cotidiano de toda a população.

Ao mesmo tempo, laboratórios e institutos de pesquisa começaram a trabalhar em cima de uma vacina eficaz e segura que fosse capaz de impedir a infecção pelo vírus e dizimar a pandemia.

É verdade que ainda não sabemos quais vacinas terão potencial de impedir a cadeia de transmissão do vírus, uma vez que todas as vacinas em fase final de ensaios clínicos ou já aprovadas para uso emergencial tiveram bons resultados em impedir casos sérios da doença e o desenvolvimento de sintomas, mas sua ação em pessoas assintomáticas ainda é incerta.

De todo modo, diversos países no mundo hoje estão concentrados na possibilidade real de ter doses de algum imunizante –os mais próximos, além da vacina da Pfizer, já aprovada, são os da Moderna, Oxford/AstraZeneca, Janssen, Sputnik V e Coronavac– para pelo menos o primeiro trimestre de 2021.

O estudo e desenvolvimento das vacinas pôde ser acelerado graças ao aporte de recursos e aos anos de estudo anteriores, com plataformas tecnológicas sendo criadas e laboratórios e megafábricas de produção de vacinas construídos.

Com o surgimento de um novo agente causador, a fórmula pré-pronta de algumas vacinas, como o caso da Oxford/AstraZeneca, que vinham sendo estudadas para conter as epidemias de Sars e Mers, respectivamente, só teve de ter o material genético do vírus substituído pelo novo coronavírus.

Foto: Erasmo Salomao/Ministério da Saúde

Essa tecnologia e conhecimento de engenharia genética só foi possível graças ao investimento pesado em biotecnologia nas últimas duas décadas.

Em um editorial comentando o artigo da Science, Holden Thorp, editor-chefe das revistas do grupo, disse que essa descoberta é um “triunfo para toda a ciência”. “Não são só imunologistas, vacinologistas, epidemiologistas e médicos que devem comemorar. A dedicação para encontrar a verdade, melhorar a condição humana e documentar tudo isso para a posteridade é comum a todas as áreas da ciência, e esses princípios propiciaram esse momento. Então, embora astrofísicos podem não ter contribuído com o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19 diretamente, eles são parte do ecossistema que permitiu isso acontecer.”

Embora a descoberta científica do ano sejam as vacinas contra a Covid-19, os desafios e obstáculos para conseguir frear e acabar de vez com a pandemia ainda irão perdurar. Com a disputa política em cima das vacinas e alguns governantes se colocando contra a evidência científica, cresce a parcela da população que diz não ter intenção de se vacinar.

Segundo o artigo, a hesitação do público em se vacinar somada a dificuldades logísticas como falta de seringas e até mesmo de armazenamento delas pode assolar ainda mais os planos ambiciosos de chegar “ao outro lado da montanha”. Efeitos adversos sérios, que devem ainda ser monitorados por vários meses a fio, podem também surgir no meio do caminho.

Mesmo assim, a notícia da chegada da vacina é promissora e uma boa forma de terminar o ano.

“O normal não vai retornar por um bom tempo. Mas nos próximos meses, enquanto as vacinas vão sendo aprovadas e surgindo no horizonte, nós podemos finalmente conseguir responder à pergunta, "quando é que tudo isso vai acabar?'”, finaliza o editorial.

Fonte: Banda B

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